19 de mai de 2015

Não se deixa apagar.

É que é difícil se deixar para trás, né? Mudar dói.

Cê cresce e vê que o processo é doloroso.

É como ser forjado.

Cê para de brincar de ser adulto e começa a ter que criar responsabilidade.

Cê sente na pele e na alma que coração quebrado dói mais que joelho ralado.

Sente falta de mertiolate e beijo da mãe para sarar.

Sente falta da criança que cê era, aí se esquece.

Mas para por aí, crescer não é sinônimo de matar a criança.

(A que existe dentro de você, eu digo.)

Crescer é ter autonomia para orgulhar a criança que cê foi e sempre vai ser.

É hora de ser testado. É hora de ver se cê aprendeu direito brincando.

É hora de ainda ouvir as broncas e os avisos de mãe.

Cê tem que crescer, meu amor.

Todos temos, e dói.

Sabe o que você vai aprender, meu anjo?

Que todos quebraremos uma promessa um dia. É inevitável.

Você vai aprender que vai ter que abrir mão de alguma coisa importante.

Você sempre sai ganhando. Ao mesmo tempo que, sempre perde algo.

Aí é onde você vai precisar da inocência e pureza de uma criança e responsabilidade de gente grande para discernir o que dói menos perder no momento.

Sempre são abertas várias portas, às vezes mais que duas.

Aí assim é difícil escolher, mas cê vai ter que escolher.

Mas pra entrar numa porta tem que deixar outra para trás.

Só quero te dizer pra não desistir, tá?

O mundo é brilhante.

Não se deixa apagar.

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