23 de jul de 2015

Eu tô gritando aqui, me escuta!

Tô aqui de novo, com uma xícara enorme de café com leite, cobertor em cima da cabeça e notebook aberto, sentindo tua falta. Não sei porque dói tanto. Acho que as coisas boas. Acho que o que ficou.

A merda de tudo isso é que tem você em tudo. Todo canto do meu quarto, tem teu cheiro no meu moletom preferido, tem tua voz no toque do meu celular, tem teu sorriso no meu papel de parede.

Escondi tudo de mim, escondi até uma parte de mim mesma, aquela que é toda tua, mas mesmo assim é quase como fugir de mim mesma. Impossível.

Cê sabe que tu deixou uma parte tua em mim, parte qual já tentei arrancar, mas cara, por quê cê foi tão bom? E tão horrível?

Tô sentindo tua falta muito, e dane-se o sentido da frase, aliás, sentido é só o que venho fazendo.

Sem sentido. Sem você, sem coerência.

Estou tão vazia que até escrever é horrível. E dói. Tudo dói ultimamente. Faz tanto tempo.

Escrever e lembrar me tortura. Mas a dor precisa ser sentida, não é? Acho que senti demais. Senti muito. Sinto muito por sentir tanto assim. Me pergunto se não foi esse problema.

Tô tentando despejar a dor que há de monte em mim nas lágrimas que caem e nas palavras que me sufocam, pra ver se dá pra esquecer todo esse rancor de um amor que não deu certo.

Toda essa insegurança de não ter sido boa o suficiente, mas eu sei que ambos fomos bons o suficiente. Não sei se acabou, não acho que tenhamos tido um fim, digno ou não, só que sinto tua falta e sinto o tempo e você escorrendo pelas minhas mãos e é como querer segurar o vento e dói ser tão incapaz.

Dói mesmo é ser tão humana.

Dói o vazio que cê deixou na minha vida, em mim e na cama que a gente dividia. Dói o abraço que me era tão bom. Dói o silêncio sem tuas ligações de madrugada. Dói tanto e não sei como fazer pra parar de doer.

Não aguento mais chorar, e porcaria, não aguento mais escrever tanto para tentar libertar minha garganta. E minha cabeça, tão cheia da gente.

E meu coração.

Dói guardar tudo numa gaveta e sorrir ao te ver.

Se restou nossa amizade, ótimo.

O que não quer dizer que não doa.

Ameniza um pouco, pelo menos isso, mas dói.

Eu tô gritando aqui, me escuta.

Se importa.

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