26 de mai de 2015

"Dessa vez eu tive medo, mesmo assim eu disse sim." - Tiê

Luna acordou assustada. O gato barulhento da vizinha estava fazendo um estardalhaço e não tinha como permanecer dormindo.

Ainda mais nessa noite. 

Pegou o celular.

04:37

Olhou as mensagens, nada. Só o registro das conversas da noite anterior. Uma conversa parecia piscar para ser relida, então ela a abriu. E releu. E leu tudo de novo. E lembrou das mensagens que apagou. Aí fechou os olhos e os apertou com força, juntamente com o lençol que segurava. 

A cabeça estava uma bagunça. E doía.

E o coração, confuso, tendo novamente sinais de vida. Não, não de vida. 

Luna não é o tipo de menina que nunca supera um amor perdido. Que se prende em decepção. Que para de viver. Então ela viveu. 

Quatro meses. Foram os quatro meses mais conturbados que a menina já teve.

Se apaixonou de novo. 

Teve sua vida amorosa remexida. E metida. E aumentada. Até, um pouco criada. 

Aí ele voltou. 

Voltou como se nada fosse nada. Aí ela que sumiu. Ela que o deixou. 

Depois voltou. Mas voltou com um sincero pedido de desculpas e recebeu um "fico feliz que você tenha voltado para mim". 

Aí foi isso. Uma conversa leve com um amigo de anos.

Aí foi. Achou que tinha superado. Não, não superado. Guardado em um lugarzinho especial dentro de si. Longe de qualquer rancor e qualquer sentimento ruim. Não queria que o sentimento mais puro e belo fosse manchado de decepção. 

Aí passou mais um tempo. Em torno de três semanas, um mês. 

Voltaram a frequentar os mesmos lugares. E eles se viram. 

E Luna ficou encantada com o sorrisinho tímido e o abraço tal qual, mas apertado. 

Ficou sem fôlego.

Aí conversaram de novo.

E aí ela sentiu. A pontada estranha de felicidade com tristeza. O controle e a possessividade de um sentimento reconhecido como seu. 

Não em relação a ele. 

E Luna se perdeu de novo. Dentro de si. Perdeu-se no emaranhado de sentimentos e pensamentos e não soube o que fazer.

Não sabia como se sentir.

Passou uma noite agitada. Sonhou a noite inteira e derrubou as cobertas.

Acordou meio avoada. 

E sentiu esperança. 

E sentiu medo. 

E disse sim. 

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